Quem paga as taxas alfandegárias em envios internacionais? Guia 2026
14/05/2026

Quem paga os direitos aduaneiros numa remessa internacional? Um guia de 2026 para evitar pagar em excesso

Tudo o que precisas de saber para evitar que as tuas encomendas fiquem retidas na alfândega, e que os teus clientes tenham de pagar taxas inesperadas.

;

Já te aconteceu? Envias uma encomenda e, de repente, o seguimento fica bloqueado numa frase temida: "A aguardar desalfandegamento". Ou pior ainda, o teu cliente recebe uma chamada a exigir o pagamento de taxas que ninguém lhe tinha explicado.

Enviar uma encomenda para fora das nossas fronteiras não devia ser uma aposta no escuro. No entanto, grande parte dos atrasos no comércio internacional não se deve ao transporte, mas sim a erros na gestão de impostos e documentação. A falta de informação clara sobre quem deve assumir os custos aduaneiros é a principal causa de devoluções e da perda de confiança nas vendas online.

Neste guia de 2026, vamos simplificar todos esses termos estranhos como direitos aduaneiros, IVA de importação ou Incoterms. Vamos explicar-te, passo a passo e com exemplos reais, como funcionam atualmente as alfândegas para que possas enviar para os Estados Unidos, Ásia ou América Latina com a tranquilidade de quem sabe que a sua mercadoria vai chegar diretamente à porta, sem custos ocultos nem encomendas retidas.

Que impostos são pagos na alfândega e como são calculados?

Para compreender quem é responsável pelo pagamento das taxas alfandegárias, primeiro tens de perceber o que estás realmente a pagar. Estas não são taxas aleatórias — os envios internacionais estão normalmente sujeitos a três encargos principais que as autoridades aduaneiras, como a Autoridade Tributária e Aduaneira Portuguesa (AT) e outras alfândegas internacionais analisam cuidadosamente:

1. Direitos Aduaneiros (O imposto por atravessar fronteiras)

Os direitos aduaneiros são calculados como uma percentagem do valor declarado da mercadoria, acrescido dos custos de envio. A percentagem exata depende da categoria do produto, determinada através de um Código HS. O teu produto deve incluir este código, que funciona como uma “identificação internacional” composta por 6 a 10 dígitos utilizada para definir a taxa de importação aplicável.

Códigos HS e Taxas Aduaneiras Estimadas:

Produto Comum Código HS Direito Estimado* Considerações Técnicas
T-Shirts de Algodão 6109.10 12% O setor têxtil é fortemente protegido, pelo que os direitos de importação são normalmente elevados para limitar a concorrência estrangeira.
Livros Impressos 4901.99 0% Normalmente isentos ao abrigo de acordos internacionais de comércio cultural. Uma das melhores categorias para exportações de baixo custo.
Telemóveis / Smartphones 8517.13 0% Isentos ao abrigo dos acordos internacionais de tecnologia (ITA), embora as regras relativas a baterias de lítio sejam rigorosamente controladas.
Cremes de Beleza 3304.99 0% - 6,5% Sujeitos a inspeções sanitárias e farmacêuticas. Os direitos são relativamente baixos, mas as inspeções físicas alfandegárias são frequentes.
Perfumes e Fragrâncias 3303.00 0% Classificados como mercadorias perigosas (ADR/IATA) devido ao teor alcoólico. Exigem embalagem especial e declaração de produtos inflamáveis.
Calçado Desportivo 6404.11 17% - 30% Uma das categorias com taxas mais elevadas. As taxas variam significativamente consoante os materiais da sola e da parte superior.

*Taxas médias estimadas para envios fora da União Europeia. As taxas finais dependem dos acordos comerciais com o país de destino.

Se utilizares o código HS errado, podes acabar por pagar 10% de direitos sobre um produto que deveria beneficiar de 0% de direitos de importação. Podes verificar o código correto através da base de dados oficial TARIC da Comissão Europeia.

2. IVA de Importação

O Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) é um dos maiores desafios nos envios internacionais. Um erro comum é assumir que, por os impostos já terem sido pagos no país de origem, não existem impostos no destino. Na realidade, cada região económica aplica as suas próprias regras fiscais de importação para proteger os mercados locais.

União Europeia: O Fim da Isenção dos 22€

Desde julho de 2021, a União Europeia eliminou a isenção para importações de baixo valor. Isto significa que todas as encomendas provenientes de países fora da UE, como o Reino Unido, China ou Estados Unidos, têm de pagar IVA, independentemente de o envio valer 1€ ou 1.000€.

Estados Unidos: O Fim das Importações “De Minimis” Simplificadas

Ao contrário da flexibilidade que historicamente caracterizava o mercado norte-americano, o cenário em 2026 tornou-se bastante mais complexo devido ao reforço do controlo aduaneiro sobre envios internacionais. Embora o limite De Minimis de 800 dólares continue legalmente em vigor, a Customs and Border Protection (CBP) dos EUA aumentou significativamente os controlos, exigindo agora declarações mais formais e maior transparência documental. Na prática, isto colocou fim à era dos envios “rápidos” para exportadores não profissionais.

China: Grande Potencial de Mercado, Controlo Aduaneiro Rigoroso

Segundo ferramentas internacionais de apoio ao comércio, como a plataforma Access2Markets da Comissão Europeia, a China aplica um limite de 1.000 RMB (aproximadamente 130€) para envios pessoais. Ultrapassar este limite pode levar as autoridades aduaneiras a reclassificar automaticamente a encomenda como carga comercial, exigindo licenças de importação e direitos significativamente mais elevados, além de aumentar o risco de devolução ao remetente.

3. Custos de Desalfandegamento

Estas são as taxas cobradas pelos despachantes aduaneiros ou transportadoras pelo tratamento documental e submissão das declarações de importação às autoridades alfandegárias. No mercado português em 2026, os custos de desalfandegamento para importações pessoais normais situam-se geralmente entre 15€ e 40€, dependendo da transportadora e do tipo de mercadoria.

Se a encomenda necessitar de inspeções adicionais — como controlos sanitários ou de conformidade do produto — os custos podem aumentar devido aos procedimentos administrativos extra e às taxas de inspeção.

Também é importante notar que muitas transportadoras aplicam taxas mínimas de desalfandegamento, o que significa que, em encomendas de baixo valor, os custos administrativos podem acabar por ser superiores ao próprio valor do produto se os envios não forem geridos estrategicamente.

Exemplo Real de Cálculo de Encargos Aduaneiros:

Uma loja ecommerce portuguesa envia uma bicicleta de 1.000€ para um cliente no Reino Unido. Os encargos de importação incluiriam normalmente:

  • Direitos Aduaneiros (aprox. 4%): 40€
  • IVA (Reino Unido 20%): 208€ (calculado sobre o valor total declarado)
  • Custos de Desalfandegamento: 30€
  • Total a pagar na entrega: 278€.

Se o cliente não for informado previamente destes custos, existe uma forte probabilidade de recusar a encomenda — ficando os custos de devolução a teu cargo.

Quem paga os direitos aduaneiros?

Nos envios e na logística internacional, a responsabilidade pelos encargos aduaneiros resume-se normalmente a dois termos de envio que vais encontrar em praticamente todos os formulários de envios internacionais. Escolher um ou outro determina quem paga os direitos e impostos de importação — e afeta diretamente a experiência de entrega do teu cliente.

Opção 1: DAP (O cliente paga na entrega)

Este é o método de envio tradicional. Tu pagas o transporte, enquanto o destinatário paga os direitos de importação, impostos e taxas aduaneiras quando a encomenda chega ao país de destino. Os teus custos iniciais de envio são mais baixos, mas existe um risco significativo de o cliente ser surpreendido pelos encargos adicionais e recusar a encomenda caso não tenha sido informado previamente.

Opção 2: DDP (Tu pagas antes do envio)

Esta é a solução preferida das marcas de ecommerce e das empresas que dão prioridade à experiência do cliente. Calculas e pagas antecipadamente todos os direitos e impostos de importação antes de enviar a encomenda. Conhecido como serviço de “custo final incluído” ou “porta a porta”, o DDP garante que o cliente recebe a encomenda sem taxas inesperadas nem surpresas relacionadas com a alfândega.

Os envios também passam pela alfândega muito mais rapidamente em DDP, melhorando significativamente a eficiência da entrega e a satisfação do cliente. No entanto, é essencial estimar corretamente os direitos e impostos antecipadamente para proteger as tuas margens de lucro e evitar custos inesperados.

A chave para envios internacionais sem complicações

Em última análise, a diferença entre uma expedição internacional bem-sucedida e uma encomenda retida na alfândega resume-se à preparação. Compreender quais os direitos aduaneiros e impostos de importação que podem ser aplicados — e decidir estrategicamente entre expedir sob os termos DAP ou DDP, é o que protege tanto as tuas margens de lucro como a experiência dos teus clientes. No entanto, navegar pelos regulamentos aduaneiros em mercados como os Estados Unidos ou a China pode rapidamente tornar-se complexo.

Na Mail Boxes Etc., não tens de gerir os procedimentos aduaneiros sozinho. A nossa equipa pode apoiar-te ao longo de todo o processo de expedição internacional, ajudando-te a compreender os requisitos de documentação, os procedimentos alfandegários e os potenciais custos de importação das tuas expedições. Como especialistas em envios internacionais e gestão aduaneira, tratamos dos detalhes mais complexos para que as tuas expedições cheguem ao destino de forma segura, eficiente e sem atrasos ou custos inesperados. Contacta a nossa equipa através da página do serviço de envios internacionais para receberes apoio personalizado para as tuas necessidades de expedição.

Partilhar
Perguntas frequentes
Sim. É um mito comum pensar que basta assinalar a opção “Presente” para que uma encomenda fique isenta de encargos aduaneiros. Embora alguns países permitam limites de valor ligeiramente mais elevados para presentes enviados entre particulares, a maioria das autoridades aduaneiras (especialmente na UE) continua a exigir IVA e direitos de importação se o valor ultrapassar o limite legal. Nestes casos, a melhor opção é utilizar envios DDP para que o destinatário não tenha de pagar nada no momento da entrega.

Se enviaste em regime DAP e o destinatário se recusar a pagar os encargos aduaneiros, a encomenda ficará retida na alfândega. Como remetente, terás duas opções: abandonar a mercadoria (e perdê-la completamente) ou autorizar a devolução da encomenda. Se escolheres a devolução, serás responsável por todos os custos de retorno, taxas de armazenamento e procedimentos de reimportação, que normalmente são bastante elevados.

Claro. É precisamente para isso que serve o Incoterm DDP (Delivered Duty Paid). Ao organizares o teu envio com a Mail Boxes Etc., podes pedir que todos os encargos (direitos aduaneiros, IVA e taxas de gestão) sejam faturados na tua conta. Desta forma, a encomenda passa pela alfândega sem problemas e o destinatário recebe-a sem procedimentos nem pagamentos adicionais.

O Código HS depende do material, da utilização prevista e das características técnicas do artigo. Uma classificação incorreta pode resultar em direitos aduaneiros mais elevados ou até em coimas. Nos nossos centros MBE, analisamos a descrição da tua mercadoria para atribuir a classificação pautal correta, garantindo que pagas o valor mínimo legal possível e cumpres os regulamentos em vigor em cada país.
MBE SPAIN 2000 S.L.. • Gran Via de les Corts Catalanes 129-131 planta 12 • 08014 Barcelona (Espanha) • Tel. +34 933 624 730 • Fax +34 933 624 731• mbe@mbe.es
##COUNTRY##
At the moment there are no Service Centers in ##COUNTRY##.
If you are interested in opening a Center or acquiring the Licence please contact:

MBE WORLDWIDE


Voltar atrás

Solicitar um orçamento

Por favor, preencha o formulário com os detalhes da sua consulta.