A Black Friday pode fazer disparar as suas vendas, mas também pode levar a sua logística ao limite. Antecipar a procura, evitar ruturas de stock e preparar o armazém para os picos de encomendas são fatores essenciais para transformar este período de elevada procura numa oportunidade de crescimento.
A Black Friday é um dos eventos comerciais mais aguardados do ano, mas, sem um planeamento adequado, pode transformar-se rapidamente num desafio operacional complexo. Durante os períodos de maior procura, um dos maiores inimigos de um e-commerce não é a concorrência, mas sim as ruturas de stock.
Vender um produto que, na realidade, já não está disponível significa ter de gerir reembolsos, enfrentar avaliações negativas e, sobretudo, perder a confiança de novos clientes. Para maximizar os resultados, o sucesso das campanhas de marketing deve ser acompanhado por uma gestão eficiente das encomendas e da logística.
Para compreender a dimensão do desafio, basta observar as tendências do e-commerce no final de novembro. Enfrentar este período sem a infraestrutura adequada pode colocar toda a operação sob enorme pressão.
Só nos Estados Unidos, as vendas online da Black Friday de 2025 atingiram 11,8 mil milhões de dólares, um aumento de 9,1% em relação a 2024, enquanto toda a Cyber Week ultrapassou os 44 mil milhões de dólares¹.
No entanto, ao nível do armazém, o verdadeiro desafio não é apenas o crescimento percentual das vendas, mas também a concentração das encomendas num período de apenas alguns dias.
Vários operadores de fulfillment estimam que os vendedores omnicanal devem preparar-se para volumes diários de encomendas entre 3 e 10 vezes superiores aos níveis habituais durante os dias de pico da Black Friday e da Cyber Monday. Em alguns segmentos, os picos podem atingir entre 300% e 500%.
Na Europa, o volume de encomendas durante a semana da Black Friday de 2024 aumentou mais de 90% em comparação com uma semana normal, exercendo uma pressão significativa sobre os sistemas logísticos que não estavam preparados para lidar com uma carga de trabalho tão concentrada.
Do ponto de vista operacional, o armazém deve ser capaz de aumentar a sua capacidade de picking e packing praticamente de um dia para o outro, com uma margem de erro mínima.
Uma entrega falhada ou o cancelamento de uma encomenda devido à falta de stock não é um problema isolado.
De acordo com o estudo “Delivering for shoppers” (2024) da nShift², aproximadamente 87% dos consumidores reduzem os seus gastos com uma marca — ou deixam de comprar completamente — depois de uma má experiência de entrega.
Analisando o mercado italiano, um estudo da SAS³ realizado com uma amostra europeia concluiu que 1 em cada 3 consumidores italianos estaria disposto a abandonar uma marca depois de apenas uma experiência negativa. Este valor sobe para quase 60% depois de 2 a 5 experiências negativas.
A mensagem é clara: durante a Black Friday, cada produto sem stock pode representar um custo de aquisição e retenção de clientes que vai muito além de uma única venda perdida.
O aumento das vendas traz uma consequência previsível: o crescimento das devoluções.
De acordo com o relatório “2025 Retail Returns Landscape” da NRF e Happy Returns⁴, a taxa média de devoluções online nos Estados Unidos atingiu 19,3% em 2025, face a 17,6% em 2024.
O setor da moda continua a ser uma das categorias mais afetadas, representando mais de 56% do total das devoluções no e-commerce. Além disso, práticas como o bracketing — encomendar vários tamanhos ou cores com a intenção de devolver a maioria — são utilizadas por quase dois terços dos compradores online.
Perante estes números, por onde começar para criar uma infraestrutura capaz de responder aos picos de procura? O primeiro passo, antes mesmo de abastecer as prateleiras, é analisar os dados históricos e classificar corretamente o inventário.
A preparação para a Black Friday começa vários meses antes, através da análise dos dados históricos do seu e-commerce. Não confie apenas na intuição: os dados são uma das ferramentas mais importantes para antecipar a procura.
Esta análise permite otimizar o espaço do armazém e definir prioridades de forma eficaz:
Depois de estimar os volumes, surge o próximo desafio logístico: como organizar fisicamente os produtos no armazém para preparar e expedir as encomendas o mais rapidamente possível?
Durante a agitação da Black Friday, a equipa do armazém não pode perder tempo a percorrer corredores vazios à procura de produtos. É por isso que as marcas de e-commerce de sucesso utilizam a análise ABC, um método de classificação de inventário baseado no Princípio de Pareto, que divide os produtos em três níveis de prioridade:
Estes são os seus "best sellers". Representam apenas cerca de 20% das referências do catálogo, mas geram uns impressionantes 80% das vendas.
📦 Conselho estratégico: Estes produtos nunca devem ficar sem stock e devem ser fisicamente colocados o mais próximo possível das estações de embalagem para acelerar o picking.
Estes representam aproximadamente 30% das referências e geram 15% das receitas.
📦 Conselho estratégico: Exigem uma monitorização constante e devem ser colocados nos corredores intermédios.
Estes representam a maioria das referências (cerca de 50%), mas contribuem apenas com 5% das vendas.
📦 Conselho estratégico: Armazene estes produtos nas zonas mais afastadas do armazém. Para evitar que se transformem em stock parado, agrupe-os com produtos da Categoria A em kits promocionais.
Depois de classificar e posicionar os produtos, é necessário calcular matematicamente quanto stock de emergência deve manter disponível. Mesmo a análise mais meticulosa não consegue prever todos os imprevistos do mercado. É aqui que entra a sua rede de segurança: o stock de segurança.
O stock de segurança é a sua margem de proteção contra aumentos imprevisíveis das compras e atrasos dos fornecedores. Utilizar percentagens aleatórias para o definir é altamente arriscado; uma abordagem matemática é essencial. A fórmula padrão para calcular o stock de segurança é:
Stock de segurança = (Vendas diárias máximas × Prazo máximo de entrega) − (Vendas diárias médias × Prazo médio de entrega)
Este cálculo proporciona uma margem operacional suficiente para absorver um aumento inesperado das vendas ou um atraso na entrega do seu principal fornecedor, evitando deixar os clientes sem produto.
Se vender uma média de 10 artigos por dia (com o fornecedor a demorar 5 dias a entregar), mas o pico máximo estimado for de 30 artigos por dia (com um prazo de entrega de 8 dias), o cálculo é:
(30 × 8) − (10 × 5) = 240 − 50 = 190 unidades
Isto significa que deve manter sempre 190 unidades adicionais no seu armazém como stock de segurança.
Deixando os números de lado, otimizar os procedimentos diários é o que realmente faz a diferença nos dias cruciais:
Implementar e gerir todas estas estratégias requer tempo, pessoal e muito espaço físico.
Gerir internamente um pico sazonal pode exigir espaço adicional, recursos e uma rápida reorganização das operações. Como responder a um aumento repentino das encomendas sem sobrecarregar a sua própria infraestrutura?
Trabalhar com um fornecedor especializado em 3PL (Third-Party Logistics) permite gerir de forma integrada todas as fases do processo de fulfillment.MBE eCommercePlus é uma solução de e-commerce integrada e modular que automatiza a gestão de encomendas, o fulfillment e os envios nacionais e internacionais.
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